Microcosmo
         Deus é grande, mas o mato é maior

quinta-feira, fevereiro 03, 2005

Este lindo bloguinho por quem tenho muito carinho faz três aninhos hoje. Parabéns, meu querido!
Bem, eu tenho quase certeza de que foi no dia 3 fevereiro de 2002...



terça-feira, janeiro 11, 2005

As férias com a família acabaram. Papai, ouvindo os relatos dos eventos, sugeriu que eu ingressasse no grupo "Tortura nunca mais".

***

Gargalhadas no cinema

Essa piada eu vi em um filme italiano ruim de cujo enredo não me lembro mais:

"Sabe por que as mulheres assistem a filmes pornôs?
Porque ficam esperando que ele se case com ela no final".






domingo, agosto 22, 2004

"É igualzinho, mas completamente diferente"

Outro dia, como eu comparasse as grandes cidades com as pequenas e percebesse que as mesquinharias e as intrigas entre as pessoas acontecem do mesmo modo, em qualquer lugar, meu pai se lembrou da história mais besta que ele já contou.

Um homem, tendo saído de uma pequena cidade do interior, vai de trem para a capital. Quando volta, sua esposa lhe pergunta como fora a experiência gloriosa de andar de trem e ele assim lhe respondeu:

_Você está vendo essa máquina de costura? Então, o trem é igualzinho, mas é completamente diferente.

E então sabemos que quando há pessoas envolvidas, muitas coisas são iguaizinhas, mas completamente diferentes.




domingo, agosto 08, 2004

É verdade que eu e meu pai combinamos que não vamos morrer nunca, mas como distração, disse aos meus que, se isso acontecesse, gostaria que meu epitáfio fosse assim:

"Valeu, pessoal."





sábado, julho 24, 2004

Ele veio para nos salvar

Hoje, enquanto lutava para sair da cama e já era tarde, muito tarde, pensava em que força divina me proporcionaria estímulo suficiente para levantar de lá. Mas, eis que apertei aleatoriamente o botãozinho do controle remoto que me conduziu a Elvis em um show "from Hawai". Rapidamente sentei-me na cama, tão renovada me sentia com aquela energia vibrante e meu próximo passo seria dar meu primeiro passo rumo ao dia.
Em vez de dizer "Obrigada, meu Deus", como é costume para mim, disse "Thank you, Elvis" e fui tomar café. Mas, pensando melhor, ainda era cedo e por que não continuar participando desse evento tão lindo?

Como era dedicado ao que fazia... Mesmo visivelmente exausto, suando o tempo todo, sem contar com nenhuma pausa entre uma e outra música, não perdia a boa vontade e o sorriso mais matreiro e sexy do mundo. Nunca se aborrecia, absolutamente, com as fãs que a todo tempo gritavam e puxavam sua echarpe quando ele se aproximava. Antes, ele a distribuía assim, generosamente, uma echarpe a cada quinze minutos, e todas devidamente abençoadas com o suor de seu rosto. E Elvis beijava suas fãs, beijava-as na boca e continuava a cantar. Aaahhhhhh...

Mesmo quando o microfone falhou, ele dançou extraordinariamente, como se nada houvesse. Lá estava ele, uma estrela com sua magnífica banda e coral, suas luzes, relembrando por um momento, Elvis, the pelvis. Fantástico.

Vendo tudo isso, ouvindo seu vozeirão, impressionada com sua gentileza e boa vontade, com sua simpatia, eu senti orgulho do gênero humano. E me lembrando de um dos últimos shows de sua carreira, em que ele, já cansado, com a saúde debilitada, cantava sentado, ainda despertando muita alegria a despeito de tudo, pensei: "sim, ele veio para nos salvar".

Depois da tarde de hoje, em que só Elvis para me tirar da cama e me fazer feliz, eu entendi por que é que, mesmo tendo tido uma vida curta, ele não morreu.

***

Vivam todos os artistas que morreram tão jovens por causa de sua arte. Vivam todos os artistas que nos deram alguma coisa de verdade, mesmo que essa coisa já existisse dentro de nós.





domingo, junho 20, 2004

"Sail on, silver girl"

Eu tive sonho.

Há algum tempo, sonhei que estava atrás da cortina de um palco. Nele, estava Elvis Presley se apresentando para centenas de pessoas. Como me visse, acenou para mim e me chamou para ir cantar com ele. "Vem", dizia ele, sorrindo para mim.

Um pouco embaraçada, olhei para trás, para me certificar de que era a mim que ele chamava. Sim, era eu.

Ele me deu sua mão e cantamos juntos "Like a bridge over troubled water". Errei alguns versos, mas Elvis sorria para mim, como se não importasse e eu podia continuar a cantar.

E esse foi o sonho mais lindo de que me lembro.

***

Eu pensava: "Mas essa música não é do Simon?" Mas não tinha importância e Elvis podia continuar a cantar.




quarta-feira, março 17, 2004

Uma antiga história conta que um rouxinol pousou na janela de um burguês. Este, ouvindo o seu lindo cantar, perguntou-lhe:

_Rouxinol, quanto custa o teu canto?

Tendo ouvido isto, o rouxinol voou para nunca mais voltar porque onde grunhem os porcos os rouxinóis não cantam.



sábado, março 13, 2004

Tempus fugit

Sempre fui uma hábil proteladora.
Espero poder também protelar minha morte.

***

Eu tenho um amigo que diz que puxei o freio de mão. Literalmente falando, eu só uso três marchas: a primeira, a segunda e a ré. Na verdade, tecnicamente, é impossível engatar a terceira naquele Volks.

***

Em meu aniversário, ganhei de minha mãe o livro Não deixe para amanhã o que você pode fazer agora. Claro, eu ainda não acabei de ler.




segunda-feira, dezembro 08, 2003

Quando nos preocupamos com as causas e não com as coisas, podemos fazer qualquer coisa na vida e em qualquer lugar.




segunda-feira, dezembro 01, 2003

Ser triste é muito bom, mas ser alegre é muito, muito melhor!

***

Livros de auto-ajuda fazem bem a quem precisa.




terça-feira, novembro 18, 2003

Chuva de leonídeos

Preparem-se para a chuva de meteoros desta madrugada. O cometa Tempel-Tuttle (não, eu não entendo nada disso), quando passou pelo sistema solar em 1533, deixou fragmentos, com os quais a Terra se encontra sempre que é novembro.

Incrível isso. Sempre existem conseqüências quando fazemos alguma coisa. Pela graça de Deus, não duram tanto tempo.

***

O melhor no mundo são mesmo as pessoas.




terça-feira, agosto 26, 2003

Em sessenta mil anos, Marte nunca esteve tão próximo da Terra quanto está essa semana. Mas os astrônomos dizem para que ninguém espere um grande espetáculo no céu.

Aplica-se, mais uma vez, a máxima criada por minha mãe de que nem sempre quem viver verá. Quando criança ela achava que, se vivesse até 1986, veria o cometa Halley. Viveu e não viu.



quarta-feira, julho 30, 2003

Alexander Fleming

Além de Edwin Hubble, entrou esta semana em meu coração e em minha lista de heróis-cientistas, Alexander Fleming, descobridor da penicilina. Graças a sua dedicação e empenho, por obra do acaso, um funguinho fantástico entrou por uma das janelas do laboratório de Alex - tomei a liberdade de chamá-lo carinhosamente -, estabeleceu-se no pratinho do experimento que ele fazia com um estafilococos e o comeu! Quer dizer, o funguinho comeu a bactéria. O nosso herói, quase limpando o pratinho, em que se dava a experiência, percebeu que havia algo estranho ali e preservou o fungo. Neste, sabe-se, por causa de Fleming, que há uma substância abençoada, maravilhosa, divina mesmo, que ele chamou de penicilina!

Depois dos últimos dois meses, em que, como se não bastasse ter tido amidalite, fui vítima de otite, não posso não ser eternamente grata a um homem como Alexander Fleming, que salvou a mim de uma dor insuportável e a milhares de vidas de pessoas em todo o mundo, desde os anos 50, livrando-as de horríveis infecções e devolvendo-lhes a saúde.

Obrigada, Alex, eu achei que não fosse agüentar.

***

Outro dia, quando eu caminhava para a farmácia e meu ouvido era a única coisa que eu sentia intensamente, fui surpreendida por duas testemunhas de Jeová.
Quero agradecer a essas duas pessoas, que me fizeram sentir que a minha dor de ouvido não era a pior coisa do universo.




domingo, julho 27, 2003

Estou só testando essa meleca para ver se ela ousa me desafiar. Não quer publicar meus acentos? Bem, só troquei o Universal Code sei lá o que por Windows 1252 e parece que tudo volta a funcionar. Eu já tinha feito isso uma vez. Por que é que se chama Universal se não é universal coisa nenhuma?

É por isso que uma amiga minha diz que reza em inglês, para ver se Deus entende.

***

Agradeço a Alexandre Inagaki pela atenção, por devolver-me as esperanças e por fazer-me rir.






terça-feira, julho 15, 2003

Uma vez um amigo me disse que não tinha problema nao e que era só beber com moderação. Fiquei olhando muito para ele, sem entender o que aquilo queria dizer.

Alguém me disse tambem que o gim e o último passo do alcoolatra antes do álcool zulu. Será isso verdade? Não era fato que a rainha mãe se conservou durante todo o tempo no gim? E ela era tão bacana...

***

Meu blog caminha para o abismo aos poucos. Primeiro sem acentos, mais tarde eu não sei. Espero que a Fortuna lhe conceda um abismo de rosas.





domingo, junho 22, 2003

Estou perdida. E não sei o que aconteceu com este blog.

Qual será o seu futuro? Haverá um?

***

"I've seen the future, baby:
it is murder"
(Leonard Cohen, The future)




segunda-feira, junho 09, 2003

Oh, nao! Fui vitima de mais um homem maluco.
E por isso que as vezes eu acho que a gente devia mesmo dar uma de Glenn Close e cozinhar o coelhinho da filha do elemento, isso se ele tiver filha, claro.
(Meu teclado esta sem acentos)
Ou entao fazer como o Clint Eastwood que jura matar a mulher do traidor, os filhos dele e ainda queimar a casa dele.

Nao, eu nao estou falando serio.







quarta-feira, junho 04, 2003

Saudações

Quero saudar todos os companheiros que nunca trabalharam na vida, que nunca tiveram que ganhar o pão com o suor do rosto, que passaram inúmeros dias de suas vidas lendo livros, escrevendo histórias, mensagens eletrônicas longas como se fossem missivas de verdade; que dedicaram suas tardes a ver filmes na tv a cabo, a pegar músicas que eles nem queriam na internet, a gravar seus próprios cds; todos aqueles que trocaram o dia pela noite e não a aproveitaram para nada além de passar horas no icq, conversando com todo tipo de gente, tarados, loucos, estrangeiros, supostos eruditos; os que passaram tantas noites de suas vidas bebendo cerveja e adiando tudo; os que negaram as manhãs tão bonitas manhãs; os que nunca incorporaram, em seu vocabulário, expressões como "mercado de trabalho", palavras como "carreira", "promoção" e "previdência"; todos os que viveram cada dia de suas vidas como se fosse o último e aos que viveram suas vidas negligenciando o tempo, como se fossem viver para sempre; os que aproveitaram o tempo o tempo todo para não fazer nada.

A todos esses meus companheiros, devo dizer, com pesar, que logo terei que me despedir de vós, sem ter certeza se a vida começa ou termina. De todo modo, eu vos digo que não deixarei de aproveitar qualquer hora para descansar e louvar os bons dias dessa vida.





quarta-feira, maio 28, 2003

Apaguem a luz!

Que susto. Por que sempre os provadores de loja têm aquela luz terrível e incrivelmente forte bem em cima de nós?

E eu me achava tão bonita no espelho de casa...





quarta-feira, maio 21, 2003

Dança da chuva

Certa vez, já de madrugada, estavámos eu e minha mãe na sala de casa, quando, depois de um longo período de estiagem, subitamente começou a chover.

E minha mãe se levantou, pôs a mão na boca e começou a emitir sons, como costumamos pensar que os índios fazem. Então, ela começou a andar em volta da mesa de centro e disse que era a dança da chuva!

Eu fui atrás dela e dançamos em volta da mesa, cantando, enquanto chovia lá fora.

E essa é uma das lembranças mais bonitas que eu tenho.





sexta-feira, maio 16, 2003

Plena

Ontem vimos o eclipse da lua com alguma dificuldade. Não porque o céu não estivesse limpo e claro e não favorecesse a nossa vista, mas porque do nosso sétimo andar, tínhamos que vencer os outros sete andares acima de nós. Que bom seria ter um teto solar, como aqueles de motel (tão românticos!) ou então uma imensa clarabóia.

Mas será que um eclipse de lua não valeria o nosso esforço de descer alguns andares para ver lá no alto a sombra que fizemos a ela, a lua?

E sempre eclipses assim foram motivo de superstições. Coisas terríveis podiam acontecer em noites como a de ontem. E nós nem nos preocupamos. Tudo estava tão calmo, como a noite de outro dia, em que, na estrada, olhei para o céu e até tirei os óculos porque o brilho das estrelas era tão intenso e nenhuma luz vinda de nós o ofuscava, de modo que eu podia ver tudo assim, sem precisar de nada e sentia uma súbita alegria.





sexta-feira, maio 09, 2003

Me miseram!

Ele disse que se apaixonara por mim desde o dia em que me vira consultando um dicionário de grego na biblioteca. Ora, eu nunca o tinha visto em toda a minha vida. Além disso, nunca usara um dicionário de grego, exceto para a pesquisa inútil de uma ou duas palavras em toda a vida.

Encontrando-o novamente em um sebo na praça João Mendes, eu o reconheci. Seria aquele mesmo? Até que ele era bonitinho, mas era o homem mais desinteressante que eu jamais conhecera. De mil palavras que eu dizia, ele interagia com umas três, que eram interjeições. Nenhum gesto atraente, aliás, nenhum gesto, apenas algum que eu possa ter vislumbrado e que era meio constrangido, aquele olhar de arrebatamento besta de alguém que confere ao outro todo o poder.

Jamais quis ter poder nenhum, especialmente sobre alguém tão frágil assim. Pensava que era melhor um asno que me carregasse do que um cavalo que me derrubasse, mas não. E descobri isso logo e logo fui atropelada por um corcel nobre, valente, jovem e lindo e cheio de palavras e gestos lindos que, em um mês, elevou-me à condição de Lady Rowena - aquela princesa saxônia que arrancara todas as esperanças de Rebeca, coitadinha! de ser amada por Ivanhoé - e em um dia apenas, um dia que por acaso do destino era 13 de agosto, fizera-me sentir como Alexandrina, que era uma personagem que não tinha entrado na história. E a única explicação que ele tinha para mim era a frase proferida, pelo telefone, assim, sem nenhuma emoção:

_Relaxa, você está muito tensa.





sábado, maio 03, 2003

Nada como um dia depois do outro

Ora, ora, se o tempo continuar passando assim, eu vou acabar morrendo.





segunda-feira, abril 28, 2003

Mira!

Embora com atraso, parabenizamos todos os envolvidos na criação e manutenção do precioso telescópio espacial Hubble que completou 13 anos, no último dia 24, proporcionando aos homens que vêem e aos estudiosos do espaço as mais nítidas imagens do vasto cosmo.

Aproveitamos o ensejo para também homenagear o astrônomo Edwin Hubble, cujo nome se usou para designar o telescópio. No brilho desse homem, que descobriu que o universo era mais vasto e excedia a Via Láctea, inspira-se também esta página, que apresenta sua fotografia no topo.

Para entender nosso mundinho, precisamos entender o mundo todo, assim como para entender o mundo todo, precisamos olhar para nós mesmos. Isto se dá assim, numa relação dialética entre cosmo e microcosmo. Entendia bem essa relatividade das coisas do mundo Virgulino Ferreira, o Lampião, a quem se atribui a genial frase que também citamos no topo: "Deus é grande, mas o mato é maior".

***

Esquecemos também de parabenizar, no momento propício, a revolução dos cravos, comemorada no último dia 25. É verdade que uma das grandes dúvidas que tiveram os soldados que levavam a cabo a revolução era se, diante de um semáforo vermelho, deviam parar ou passar com o tanque de guerra. Incrível, pá!





quarta-feira, abril 23, 2003

Meu pai, meu querido confidente

_Pai, lembra de quando a felicidade era só dormir durante nove horas, abrir a janela e encontrar um dia de sol cheio de coisas esperando por nós? Parecia que tudo era feito para nós.

_Quando eu era mais moço, pensava em escrever sobre o passado e a busca do tempo perdido. Mas aí eu fui ler Proust e tudo estava lá. O tempo não é destrutivo como está em Machado, por exemplo. O que seria de um homem sem suas memórias?

_Mas, e se eu não conseguir fazer tudo, pai? E se eu não conseguir?

_O Einsten só foi falar aos sete anos de idade. Mozart já compunha aos sete anos. Mas o Debussy só foi aprender música aos trinta anos. E eu acho Debussy muito mais interessante do que Mozart. Mozart era um chato.

_Mas a mamãe disse que quem tem Mozart não precisa de Berlioz...

_Ah, e ninguém tem que ser Mozart, nem Debussy. Cada um dá o que tem. Você tem que ser o que você é.





domingo, abril 20, 2003

As amigas


Há algum tempo que não volta mais eu era muito amiga de uma amiga minha. Queríamos ficar juntas todo o tempo e eu a esperava voltar do trabalho e a recebia em minha casa, onde ríamos e chorávamos o tempo todo por causa de tudo. E ela, sempre que via na parede As amigas do Klimt, dizia:
_Eu não sou aquela pelada.
E sempre que algo nos acontecia e sempre algo nos acontecia, nos lembrávamos de Scarlett O´Hara, cantarolávamos o tema de Tara e dizíamos, ajoelhando-nos no chão - como se arrancássemos alguma raiz do solo -, que jamais passaríamos fome novamente.
Agora, ouvindo essa música tão emblemática, ainda posso vê-la e ouvi-la dizer: "Jamais passarei fome novamente". E essa era a frase que sempre dizíamos quando algum homem nos abandonava e sentíamos o mais legítimo ódio de Mellanie e a amargura mais recalcada por causa de Ashley, que era todos os homens que não nos amavam sem que pudéssemos compreender por que era que não nos amavam. Éramos tão bonitas! Éramos ótimas.
E nós nos amávamos tanto e ela me fazia tão feliz.





quinta-feira, abril 17, 2003

As cores de abril

Meninos, não percam o céu de abril! Vejam como é tão lindo e profundo e como todas as maravilhas nele se mostram.
E é de graça, basta olhar pela janela e para cima!





quarta-feira, abril 16, 2003

O existencialismo é um humanismo?



Será mesmo a convicção do livre arbítrio dos homens uma coisa realmente boa para a sua humanidade? Será mesmo a tomada de consciência de que o homem está condenado a ser livre o primeiro e último e único expediente necessário para a sua efetiva liberdade? Será a consciência da exclusiva responsabilidade de seus atos saudável para sua vida?

Eu gostava mesmo de acreditar em Deus ou nos deuses todos e na Fortuna e achava que isso podia ser mesmo muito bom para meu coração e para minha sanidade mental. (Minha liberdade seria mais importante do que minha saúde?)
E achava que Jesus Cristinho me enviaria um príncipe assim, sem nada de mais, só que fosse alto, jovem, culto, divertido e que soubesse escolher muito bem suas gravatas. Ah, e que gostasse de mim.
E então eu seria, como minha mãe costuma dizer, um legítimo bacalhau da emulsão de Scott.

***

Eu sempre digo que sou uma garota de muita, muita sorte.





sábado, abril 12, 2003

Desastre

O Museu Nacional do Iraque também foi saqueado em Bagdá e muito do patrimônio histórico da Mesopotâmia se perdeu assim, em um dia, sem que nenhum militar americano se preocupasse em proteger tesouros de milhares de anos. Isso sem contar os inúmeros sítios arqueológicos que foram alvos de ataques do império.
É claro, devemos compreender que um monte de moleques semi-analfabetos que constituem as tropas norte-americanas não poderiam mesmo perceber o desastre que se dava e nem ter sequer noção de que se tratava de um patrimônio não só do Oriente, mas de toda a humanidade.
O que se pode esperar de um tempo em que o chefe de Estado mais importante do mundo é um homem que tem o discernimento e a ilustração do senhor Bush?





sexta-feira, abril 11, 2003

Lendo Mrs. Dalloway - livro bastante comentado desde a exibição nos cinemas do filme As Horas, cujo enredo nele se baseia -, senti, pela primeira vez, medo de Virginia Woolf.
O livre fluxo de consciência pode não fazer bem a certas pessoas em certas circunstâncias.

***

Meu pai sempre brincava comigo perguntando se eu tinha medo de Virginia Woolf. Um dia, perguntei a uma tia velha se ela tinha medo de Virginia Woolf. E ela me olhou assustada, com uma incrível interrogação nos olhos, sem pavor, mas com choque e perguntou: "O que é que deu na sua cabeça?"
É mesmo muito triste não ter senso de humor.





quinta-feira, abril 10, 2003

Clueless

Estamos achando que o tanque que disparou contra o hotel, em que se hospedavam os jornalistas estrangeiros em Bagdá, era conduzido por um americano totalmente mané e sem noção que, percebendo o movimento de qualquer coisa em uma das janelas, atirou sem hesitar. Se grande parte dos americanos não sabe onde fica o seu próprio país no mapa, como poderíamos esperar que saberiam localizar a sede da Al-Jazeera?





quarta-feira, abril 02, 2003

Alea jacta est na zona do agrião

Meu pai me disse que eu devia desistir de minha luta, já que, estando eu tão desarmada e fragilizada, não poderia prosseguir e quase me disse que eu devia dar dois passos para trás, a fim de dar um para frente.

_Não, pai. É um para trás e dois para frente. Ou seriam dois pra lá e dois pra cá?

_Sua batalha é uma batalha de Pirro, ambos os lados saem perdendo.

Minha irmã, em contrapartida, disse-me:

_Você já atravessou o Rubicão e depois do Rubicão é só alegria.

Observações dos meus à parte, só consigo me lembrar de uma incrível seqüência de fatos recentes.

O melhor pretendente de todos os tempos rompeu comigo em um dia 13. No dia seguinte, despedindo-se de mim, na porta do escritório, desejou-me "boa-sorte" e me beijou. Deixando-o lá, tão infeliz e desencantada da vida, ouvi de um transeunte qualquer: "Ele é seu namorado?" Mal pude controlar o meu ódio:

_Não é não! Não é mais!

E só não arremessei um objeto nele porque eu não tinha nada. Nada.

Então, resolvi fazer uma pequena compra, cujo valor foi de 13 reais e 13 centavos, coisa que eu não teria notado se o caixa não me tivesse dito: "a senhora pode jogar hoje".

Logo depois, andando pelo centro, como uma personagem trágica à procura de um autor, fiquei com o salto de minha linda bota preso em um bueiro, ao lado de uma daquelas aglomerações horríveis de gente. E eis que um homenzinho, tendo percebido a situação embaraçosa na qual eu me encontrava - sem poder dar um passo para a frente, nem para trás, nem para os lados -, começou a rir.

Já pela noite, estando em um bar com um amigo, passou por nós um homenzinho que disse: "Borboleta treze", e se foi. Corremos atrás dele e compramos o bilhete. Mais tarde, como quiséssemos comer uma massa, sugeri, inocentemente, que devíamos ir até a Treze de Maio. Meu amigo riu.

Dois dias depois, comprei um livro cujo valor era de 131 reais.
_O valor dele é outro, mas estamos em promoção.
Não acreditei. Era o 13 no espelho.

Minutos depois, estando com minha irmã em um café, disse a ela que tudo bem, que deixasse por minha conta e eis que lá estava na conta: "Treze reais".

Bem, ontem, no caixa do supermercado, fiz uma pequena compra no valor de 7,60.
_A senhora tem 10 centavos?
Embrulhando as compras, ouvi novamente o caixa a dizer a senhora que vinha logo depois de mim:
_São 7, 60. A senhora tem 10 centavos?
Achando aquilo muito intrigante, fui verificar minha nota. O último item havia custado 1, 13, logo abaixo se via que eram 13 itens e logo pensei: "7 mais 6 somam 13".

Dizem que o 13 é a carta que no tarô traz o esqueletinho, simbolizando a morte. Mas ela pode significar a morte de um ciclo e, portanto, renascimento e transformação. Fico pensando se depois do Rubicão é só alegria mesmo, mas já que estou aqui, na zona do agrião, só me resta continuar. Ou não. Vai, lugar-comum: alea jacta est!

Ah, aquele bilhete que compramos não trazia os números que foram sorteados.





sábado, março 29, 2003

Aconteceu comigo

Quando tinha 13 anos, eu era uma garota bem bonitinha e, certo dia, um mocinho do meu colégio, convidou-me para uma matinée. Não relutei em decidir com que roupa iria. Tinha que ser o lindo vestidinho amarelo que minha mãe, excelente costureira, fizera para mim.
E quando esperava, ansiosa, já na porta de casa, por aquele encontro tão sublime, pude avistar Evandro José - sim, esse era seu nome - , rindo e vindo em minha direção:
_Você é tão bonitinha. Está parecendo uma espiga de milho.
E é por isso que hoje eu não tenho nenhuma roupa amarela.





sexta-feira, março 28, 2003

Comentários sobre a guerra

Admirável a coragem e notável o senso de humor do único correspondente da mídia brasileira em Bagdá, o repórter Sérgio Dávila, da Folha de São Paulo. Finalmente, há dois dias, o jornal tem publicado sua foto, em que aparece ao lado do fotógrafo Juca Varella, encabeçando suas reportagens. Isso foi ótimo, especialmente para minha mãe, que achava que o Sérgio Dávila era o Roberto Dávila, que é um jornalista bem mais velho e bonitão.
Em seu diário de Bagdá, são apresentados aspectos interessantíssimos da cultura do povo que habita a cidade - seus passats brasileiros, seus bigodes -, negligenciados pela maior parte da imprensa, preocupada, evidentemente, com as estratégias de guerra, com a reconstrução do Iraque após a guerra, com os artigos de intelectuais concentrados em temas políticos e econômicos.
Mas de tudo o que é tratado, a única coisa que realmente me preocupa, como já disse outro dia o Cony, na mesma Folha, são as mães, todas as mães de todos os soldados envolvidos no conflito. Sua dor é o que iguala a todos, o que pode ser compreendido por todos, independentemente de qualquer coisa.
Será que o Sérgio Dávila tem mãe?

***

Quero lembrar uma música realmente muito feia, mas cuja letra, escrita por Bob Dylan, é muito oportuna nesses dias de guerra. Não recomendo a ninguém que a ouça, embora o compositor a cante com a excelente Joan Baez, pois como observei, a música é mesmo muito ruim, mas que tão somente considere como sua argumentação é brilhante.

With God in our side

"Oh my name it is nothin'/My age it means less/The country I come from/Is called the Midwest/I's taught and brought up there/The laws to abide/And that land that I live in/Has God on its side.

"Oh the history books tell it/They tell it so well/The cavalries harged/The Indians fell/The cavalries charged/The Indians died/Oh the country was young/With God on its side.

"Oh the Spanish-American War had its day/And the Civil War too/Was soon laid away/And the names of the heroes/I's made to memorize/With guns in their hands/And God on their side

"Oh the First World War, boys/It closed out its fate/The reason for fighting/I never got straight/But I learned to accept it/Accept it with pride/For you don't count the dead/When God's on your side.

"When the Second World War/Came to an end/We forgave the Germans/And we were friends/Though they murdered six million/In the ovens they fried/The Germans now too/Have God on their side.

"I've learned to hate Russians/All through my whole life/If another war starts/It's them we must fight/To hate them and fear them
To run and to hide/And accept it all bravely/With God on my side.

"But now we got weapons/Of the chemical dust/If fire them we're forced to/Then fire them we must/One push of the button/And a shot the world wide/And you never ask questions/When God's on your side.

"In a many dark hour/I've been thinkin' about this/That Jesus Christ was betrayed by a kiss/But I can't think for you/You'll have to decide/Whether Judas Iscariot/had God on his side.

"So now as I'm leavin'/I'm weary as Hell/The confusion I'm feelin'/Ain't no tongue can tell/The words fill my head/And fall to the floor/If God's on our side/He'll stop the next war."




terça-feira, março 18, 2003

De um país subdesenvolvido e de qual é o melhor: ser ignorante ou estressado?

É muito importante que os comerciantes ouçam com paciência as queixas dos fregueses e se informem com seus fornecedores a respeito da procedência dos produtos que revendem. Se o comerciante, diante de uma reclamação de um freguês, diz que confia em seu fornecedor, ele peca duas vezes: por omissão, porque o produto vendido pode mesmo apresentar problemas, ter sido falsificado ou coisa que o valha e por falta de inteligência de comerciante, que, no mais das vezes, quer proteger o seu negócio e não deve querer perder os seus fregueses.

No entanto, se o freguês é pessoa esclarecida e compreende que o comerciante é pessoa de baixa instrução e não entende o que ele quer dizer ou, na pior das hipóteses, sendo o comerciante pessoa estúpida mesmo, o freguês deve expor o seu problema de um modo que o outro o entenda, sem sentir-se ameaçado. Assim, um freguês que enxerga o seu próprio problema, mas não o problema do comerciante e chega gritando e batendo os pezinhos, peca três vezes: por grosseria, por falta de capacidade de formular uma estratégia que convença o comerciante e por desperdício de instrução, afinal, de nada adianta ser instruído e burro.

De todo modo, eu acho mesmo um saco viver em um lugar onde se tem que lutar por tudo quando se percebe que tudo está errado.
É melhor sofrer, desconhecendo os seus direitos, ou sofrer conhecendo o seus direitos sem poder fazer que funcionem?

Ah, essa última hipótese foi motivada pela compreensão de que, ainda que o freguês seja pessoa instruída e gente finíssima e super inteligente e reclame com muita classe e ainda consiga fazer que o comerciante não queira nem perdê-lo como freguês e nem ser omisso com relação a eventuais falhas nos produtos que revende, ainda assim, a probabilidade de tudo sair bem e de, em alguma instância, tudo funcionar, é ínfima quando não se insiste no caso e razoável se se gastar muito tempo com o Procon e boa mesmo se se estiver na Suíça, onde a vida não é nada divertida e a taxa de suicídios, altíssima.






sexta-feira, março 14, 2003

Parabéns!

Os meus mais sinceros parabéns ao homem mais lindo do universo, Chris Klein, que comemora seus 24 aninhos hoje.
Ele atuou nas melhores películas que Hollywood produziu nos últimos anos, como em American Pie, American Pie 2 e outras a que, indubitavelmente, a posteridade fará jus.
Alguém aqui em casa disse que ele tem cara de retardado, mas não é verdade. Ele é mesmo o homem mais lindo do mundo. Podia ser mais peludo, é verdade.

***

Eu bati minha cabeça na semana passada e, desde então, não parei de ouvir Dolly Parton e Kenny Rogers.
Acho que preciso parar de tomar goró. Às vezes fico um pouco confusa. Se estou assim no pré-balzaquismo, o que o futuro poderá esperar de mim?





quinta-feira, março 13, 2003

Victor ou Victoria

Eu queria ser homem para ter alguma esperança de ele gostar de mim.





sábado, março 08, 2003

Dia internacional da mulher

"Não tenhas ciúmes de tua amada esposa, para não lhe ensinares o mal contra ti.
Não te entregues a uma mulher, para que ela não usurpe tua autoridade.
Não vás ao encontro de uma cortesã, para que não caias em suas redes.
Não te entretenhas com uma bailarina, para que não sejas seduzido por suas artimanhas.
Não fites uma virgem, para não seres punido com ela.
Não te entregues às prostitutas, para não perderes o teu patrimônio.
Não gires o teu olhar pelas ruas da cidade e não vagueies por seus lugares desertos.
Desvia o teu olho de uma mulher formosa, não fites uma beleza alheia.
Muitos se perderam por causa da beleza de uma mulher, por sua causa o amor se inflama como o fogo.
Não te assentes nunca à mesa com uma mulher casada, não banqueteies com ela tomando vinho, para que o teu coração não se incline para a ela e, na tua paixão, escorregues para a perdição."

Eclesiástico, 9, 1-13.

***

"Sem o saber, uma filha causa a seu pai inquietações,
o cuidado por ela tira-lhe o sono:
se jovem, que ela não passe do tempo de se casar;
se casada, que ela não se torne odiosa;
se virgem, que ela não seja profanada
e não fique grávida na casa paterna.
Tendo um marido, que ela não erre;
casada, que ela não seja estéril.
Fortifica a vigilância sobre uma filha audaciosa,
a fim de que ela não faça de ti motivo de irrisão para teus inimigos,
o assunto da cidade, a chacota do povo,
e não te desonre aos olhos de todos.

Diante de quem quer que seja, não te detenhas na beleza
e não te assentes com mulheres.
Porque das vestes sai a traça
e da mulher, a malícia feminina.
é melhor a malícia de um homem do que a bondade de uma mulher:
uma mulher causa vergonha e censuras."

Eclesiástico, 42, 9-14.

"Uma mulher aceita todo tipo de marido
mas uma jovem é melhor do que a outra.
A beleza de uma mulher alegra o olhar
e excede a todos os desejos do homem.
Se a bondade e a doçura estão nos seus lábios,
o seu marido é o mais feliz dos homens.
O que adquire uma mulher inicia uma fortuna,
auxiliar semelhante a ele, coluna de apoio.
Faltando cerca, a propriedade é devastada;
faltando a mulher, o homem geme e vaga.
Quem confia num ágil ladrão
que salta de cidade em cidade?
Assim é o homem a quem falta ninho;
repousa onde a noite o surpreende."

Eclesiástico, 36, 23-27.





quinta-feira, março 06, 2003

Há muito tempo eu não cozinhava, mas ontem realmente fiz uma coisa muito boa. Vamos a receita dos meus bolinhos de mandioquinha, transmitida por minha avó a minha mãe e a mim.

Ingredientes:

2 mandioquinhas grandes;
1 ovo;
1 punhado de cheiro verde cortadinho (só cebolinha é fascinante);
1 colher de farinha de trigo;
50 g de queijo parmesão ralado.

Modo de fazer:

Descasque as mandioquinhas e as cozinhe na água até ficarem molinhas.
Amasse-as bem ou use um mixer (isso é muito bom, pois deixa a massa homogênea) e acrescente os demais ingredientes. A massa tem de ficar em ponto de bolinho, i. e., nem muito dura, mas não muito molenga. Frite os bolinhos em óleo de canola (é muito mais saudável) e novo (sua saúde é muito mais importante do que uma lata de óleo), dispondo-os na frigideira (aquelas de chinês são ótimas) com o auxílio de duas colheres de sobremesa. Com uma delas você poderá apanhar a massa e com a outra, livrar-se dela, pondo-a no óleo com cuidado. A medida certa de cada bolinho é mais ou menos a metade de uma colher de sobremesa.

Observações importantes:

A receita rende, em média, 24 bolinhos.
O queijo é fundamental, pois sem ele, o bolinho não tem nenhum sentido, afinal, mandioquinha é um saco.
Não entupa a panela de bolinhos. É melhor fazer duas fritadas.
Não se esqueça da farinha de trigo, pois sem ela, seus bolinhos poderão se desfazer no óleo, sendo uma decepção horrível. Eu já cometi esse erro. No entanto, ponha mesmo apenas uma colher de sopa, para as medidas citadas, a fim de não fazer bolinhos massudos e durões de comer.
Fazendo-os, como indiquei, considerando que o óleo deve estar quente, mas não queimando, os bolinhos ficarão cremosinhos por dentro, sendo envolvidos por uma fina e crocante casquinha.
Bom apetite! Ah, não se esqueça de pôr umas pitadinhas de sal na massa!







quarta-feira, fevereiro 26, 2003

A sonda espacial, Pioneer 10, finalmente saiu do sistema solar, depois de uma missão de quase 31 anos. Ela leva consigo uma mensagem dos homens e um mapa da Terra. Continuará viajando sem ser rastreada.
Espero pelo dia em que faremos contato.

***

Para o meu ex-companheiro, eu sou como a sonda espacial.
Será que levo uma mensagem? Continuarei viajando? Farei contato?





terça-feira, fevereiro 18, 2003

Bianca? Ou Sabrina? A missão.

Depois de vinte dias sem ver meu jovem e lindo e promissor namorado, meu legítimo capitão Rodrigo, que viajara para as bandas da Bahia, sem uma missão definida, finalmente o reencontrei. Oh, como meu coração de Bibiana esperara pelo reencontro, como estivera eu durante tanto tempo pedalando na roca, fiando, cumprindo meu destino de mulher.
Na verdade, como todos sabem, nenhuma viagem, nenhum turismo pôde ser empreendido por mim, afinal, depois da escherichia coli, fui vítima de staphyloccocus saprophyticus. Eu adoro os nomes das bactérias e elas gostam muito de mim.
Então, o capitão me levou para um restaurante lindo, pediu que eu escolhesse o vinho - como é doce esse momento e minhas mãos param de tremer -, perguntou se eu sentira sua falta durante a longa ausência.
_Oh sim, um pouco, mas andei tão atarefada...
Que olhos lindos ele tem e como eu queria que agora mesmo ele me...
_Então, Alê, quero dizer que mesmo se a gente continuar só amigo...
Oh, deuses, o que as chinocas fizeram com ele?
_Porque eu percebi que você gosta muito mais de mim do que eu de você.
Oh, não. Se ele disser que não me merece eu jogo o vinho em cima dele, o guardanapo sobre a mesa, levanto-me, triunfante, e saio. Sim, porque é preciso completar a cena. Nós adoramos uma cena, não adoramos? Eu gostava mesmo dos brincos das atrizes das novelas mexicanas.
_Sabe, Alê, o R., se olhou no espelho e pensou: "eu não sou feliz com a Alexandrina".
Não acredito! Ele fala de si mesmo na terceira pessoa, como os reis! Que destino me espera? Quem sabe terminar no balcão, tomando um gim tônica com o barman?
E eu, tal como Bibiana, disse que tudo ficaria bem. Até que... Já na rua, o capitão, meu valente capitão, começou a chorar. Eu o abracei, limpei suas lágrimas, fui até sua casa e dormi no sofá como se dormisse em um tapete atrás da porta, sem carinho e sem coberta.
E minha irmã me diz que eu tenho que lutar por esse homem, que devo voltar e dormir na porta da casa dele. Alguém a propósito se lembra de uma cena do filme "Lua de fel"?
A Bibiana só resta esperar. Assim é o destino das mulheres, assim sua avó lhe ensinara. Quando o vento soprará?

Esse foi o post mais besta que eu já escrevi. Ah, e não é baseado em fatos reais, claro que não. Afinal, para quê ser tão previsível, não é mesmo?









quinta-feira, fevereiro 06, 2003

Incrível

Hoje, enquanto via notícias a respeito da possível guerra dos Estados Unidos contra o Iraque, a Dita, nossa diarista há mais de vinte anos, aproximou-se da TV e, olhando por cima dos óculos, disse-me, convicta:
_Se tiver uma guerra, eu não deixo o meu filho ir.
_Hein?
De qualquer maneira, ela não deixaria e isso é bom.





terça-feira, fevereiro 04, 2003

Vida de astronauta

Por conta do pesar que causou o acidente com a nave Columbia, muito se fala nos astronautas que se partiram, mas alguém pode imaginar pelo que estão passando os outros três que estão na Estação Espacial Internacional, sem data certa para seu retorno e correndo o risco de ter de voltar em um ônibus espacial russo e velho?





quinta-feira, janeiro 23, 2003

Pogresiu

Se o mundo dependesse de mim para andar para a frente, estaríamos na idade da pedra lascada.
Ainda bem que existem pessoas que restringem sua liberdade, que vão contra seus impulsos de permanecer na cama por toda a manhã, que têm medo da morte e que desejam ardentemente a vida civilizada. Graças a imensa força interior dessas pessoas, foram inventadas a roda, a energia elétrica e muitas coisas que estou com preguiça de recordar e enumerar.
Cada café da manhã que tomo me faz pensar no agricultor que plantou o trigo que fez o pão; no peão que tirou o leite da vaca para fazer o queijinho fresco tão fresco e tão light; no provável japonês que acordou cedo todo dia para cuidar do papaia tão gostoso; em quem cuidou dos pezinhos de café que depois de muitos processos chegou até a minha xícara que também foi feita por alguém que também acordou cedo quase todos os dias de sua vida para sustentar sua família e fazer xícaras para que o dono da fábrica de cerâmicas ficasse rico e para que pudéssemos tomar nosso cafezinho de todo dia em um recipiente apropriado.
Tudo que vejo em torno de mim foi feito graças ao trabalho. Não o meu, claro, mas o de tantas outras pessoas.
Vivam os trabalhadores!
A propósito, quem terá sido o mentecapto que propôs mudar o nome da rodovia dos Trabalhadores para rodovia Ayrton Senna? Como ousaram?







domingo, janeiro 05, 2003

Tenho medo de não ter medo.

***

Escherichia coli

Ela migrou em meu corpo. Saiu de um lugar feio e entrou em outro menos feio. Esteve em minhas festas, em minhas férias, em meu romance. Deixou-me prostrada, fatigada, menos formosa, um tanto dopada. Quantas aspirinas tomei?
Antes que fosse tarde, fui parar no E.R.
_Mãe, esse médico não é a cara do George Clooney?
_Não, ele é mais bonito.
Antibióticos, antiinflamatórios, férias com a família.
Sim, tia Polly, estou muito contente!





















segunda-feira, dezembro 23, 2002

Solicito a todos os que trabalham em laboratórios, coletando amostras de nosso sangue para análises clínicas, que façam seu trabalho devagar, com tranqüilidade e gentileza, para o bem de nossas veias.

***

Intrigante a campanha do "Natal sem fome", cujo slogan, tão veemente, é frase do lúcido Betinho, que dizia: "Quem tem fome, tem pressa".
Quem tem fome tem pressa só no Natal?

***


Sempre que vou ao Copan, edifício admirável na tão viva avenida Ipiranga, tão próxima das avenidas São Luís e São João, igualmente vivas, cheias de maravilhas - edifícios saüdosos, antigos, cheios de memórias, livrarias da Barão de Itapetininga, o Municipal, o Brahma -, olho pelas janelas e penso: "Puta que o pariu. O Niemeyer tirou o sol de todo o mundo".
Quem não entende o que digo que observe a disposição do concreto que se põe bem defronte às janelas e perceberá que um arquiteto, por mais sonhos que tenha, jamais pode prescindir do bem-estar de quem viverá nas obras por si planejadas.





sábado, dezembro 21, 2002

Incólume?

Lendo, na Folha de hoje, a coluna de Dom Luciano Mendes de Almeida a respeito do Natal, logo pensei que tenho sorte às avessas. Enquanto muitos sonham em ter Natal, tudo o que eu queria era ficar em paz. A boa notícia é que acho que consegui!!!
Finalmente, depois de tantos anos de chesters e famílias, passarei pelo Natal, como se nada tivesse acontecido.
Será que sentirei medo?





quinta-feira, dezembro 05, 2002

Abduzida

Como me queixasse de dor nos quadris, minha pobre mãe, temendo que sua filha ficasse manca e merecesse observação do tipo: "Por que manca, se bonita? Por que bonita, se manca?", rapidamente providenciou uma consulta ao ortopedista.
Depois do exame em que o ponto de dor foi localizado, o médico diagnosticou uma bursite. Jamais em tempo algum direi a ninguém que tive algo com tal nome. De todo modo, o que me surpreendeu mesmo foi o tratamento para o caso, cujo item principal é o descanso em "posição de abdução".
_ O que é isso doutor?
_ Você deve ficar deitada com as pernas abertas.
Alguém confia em ortopedistas?





quinta-feira, novembro 28, 2002

Alguém me disse outro dia que o mundo não é como eu quero.
Fico imaginando quantas pessoas no mundo não imaginam que o mundo não é como elas querem. E se todos nós ficarmos contra o mundo e a nosso favor, será que o mundo não se adapta?

***

Um grande amigo meu vai se casar.
Toda vez que me lembro disso tenho vontade de chorar. Fico lamentando quanto romance é perdido quando os chinelos se misturam, quando se compartilha o mesmo banheiro, quando se está por perto a todo o instante. Sempre acho que a melhor solução para essa nossa carência de querer alguém sempre ao nosso lado quando acordamos, quando vamos dormir, quando vamos jantar, é habitar sempre casas grandes, apartamentos espaçosos para quando cada um precisar de privacidade que a encontre sem ser encontrado.
Mas, no fim, sei que o destino é sempre o mesmo. Ainda que um casal que se ame tivesse tal morada e tanto espaço, refugiar-se-ia no mesmo cômodo, no mesmo quarto até que a paixão arrefecesse e o romance acabasse. Ou então, na melhor da hipóteses, transformaria seu destino naquele velho projeto de vida, que inclui filhos, família, companheirismo e é tão bonito nas histórias dos outros.

***

Bonitinha e ordinária

Eu queria me casar com aquele moço tão bonito que eu conheci e que sabe fazer todos os tipos de nós em suas gravatas. (Haveria algo de mais charmoso em um homem do que a naturalidade e a facilidade ao dar o nó em sua gravata?) Queria preparar-lhe o café todas as manhãs, preparar-me para ele sempre que chegasse em casa à noitinha, dar-lhe todos os filhos que quisesse, ir ao Guarujá nas férias. Um marido bonzinho, filhos saudáveis, um carro grande - daqueles cujas portas parecem de madeira e que a gente via em todos os filmes americanos e desejava muito sem saber que os carros americanos são os piores do mundo. Uma vida doce como a vida deve ser.
E eu queria também ser a amante desse mesmo homem. E fazer cruzeiros com ele - haveria algo mais cafona do que fazer cruzeiros com o amante? -, dançar com ele a noite toda de um dia de semana qualquer, no qual ele enganaria sua esposa, compartilhar de um segredo, um segredo que a esposa não pode conhecer.
E então, eu seria completa, plena.





segunda-feira, novembro 11, 2002

Achava que o que estava sentindo era aversão aos intelectuais, mas me enganei. Não agüentava mais essas pessoas que discursam a respeito de assuntos muito específicos, usando um jargão que pouquíssima gente entende. Que benefício trariam essas pessoas ao cosmo?
E assim continuava a pensar nessa gente, que produz - eu detesto essa palavra - dissertações de mestrado, teses de doutorado, muitas vezes financiadas por instituições de muito prestígio. Não nego o valor de tais estudos, absolutamente, mas me oponho ao modo como freqüentemente são aplicados ou ao modo como não são aplicados.
Descobri que confundia acadêmicos com intelectuais, cometendo uma grande injustiça com estes. Intelectuais de verdade são pessoas dotadas não só de um conhecimento específico, mas de uma ampla visão do mundo em que vivem, podendo nele exercer um grande e intenso poder de transformação. Intelectuais de verdade não ficam apenas em seus gabinetes, cuidando de sua produção acadêmica, escrevendo artigos para revistas universitárias e periódicos que quase ninguém vai ler. Intelectuais de verdade vão além disso, preocupam-se com o mundo em seu redor, são capazes de antever muitas coisas e têm disposição para dividir seu conhecimento, para difundi-lo até onde sua voz puder ser ouvida. Sim, intelectuais de verdade têm voz, têm vontade e nenhum preconceito. Intelectuais de verdade são gente de verdade.
É nefasto todo acadêmico que mistifica seu conhecimento como demasiadamente complexo e se põe como obstáculo entre seus ouvintes e o conhecimento, afastando-os deste. Quantos de nós, mesmo nos anos de nossa infância não deixamos de nos interessar por alguma disciplina por que fomos induzidos a considerá-la impossível de ser compreendida?
Qualquer conhecimento pode ser apreendido e recriado, desde que se tenha curiosidade e vontade para desvendá-lo e o verdadeiro intelectual sempre poderá conduzir quem quer que seja que tenha um verdadeiro interesse em fazê-lo.
Quero dizer, a fim de ilustrar o que digo, que Homero, Vergílio e tantos outros autores que falam de sua cultura e de nós mesmos não são patrimônio de universidades de prestígio, nem de eruditos ou acadêmicos que devotam seu tempo e sua carreira a estudá-los apenas em seu próprio benefício.
Homero e Vergílio são patrimônio da civilização ocidental, da humanidade e de quem quiser lê-los.









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